Viagens corporativas batem recorde em 2024 com alta de 5,5% em relação à 2023

O Levantamento das Viagens Corporativas (LVC) é realizado mensalmente pela FecomercioSP em parceria com a ALAGEV, com dados coletados de pesquisas do IBGE, a Pesquisa Anual de Serviços e Pesquisa Mensal de Serviços
Guilherme Dietze, Assessor Econômico e Coordenador do Conselho de Turismo da FecomércioSP

Nesta terça-feira (25), Guilherme Dietze, Assessor Econômico e Coordenador do Conselho de Turismo da FecomércioSP subiu ao palco da 20ª edição do Lacte para dar um panorâma geral sobre o Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado pela FecomercioSP em colaboração com a Associação Latino Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (ALAGEV). 

A pesquisa aponta um gasto recorde das empresas no Brasil com serviços de turismo, em 2024, totalizando R$ 131 bilhões. Esse valor representa um crescimento de 5,5% em relação ao ano anterior e o maior patamar da série iniciada em 2011. No último ano, houve um incremento absoluto de R$ 6,8 bilhões.

Em uma análise agregada com outro indicador da FecomercioSP, referente ao faturamento nacional do turismo, estima-se que o setor corporativo tenha representado 63% do total em 2024. O mês de dezembro também foi positivo para as viagens corporativas, registrando um aumento de 6,8% em relação ao mesmo período do ano anterior e um faturamento de R$ 8,8 bilhões, um recorde para o mês na série histórica.

Os bons resultados do setor refletem o crescimento mais robusto da economia brasileira, que, em 2024, deve encerrar o ano com uma alta de 3,5%, bem acima da projeção inicial de 2%. Esse crescimento impulsiona naturalmente os gastos com viagens devido ao aumento das atividades comerciais em diversas áreas, uma vez que todos os grandes setores da economia — comércio, serviços e indústria — apresentaram expansão.

No entanto, vale ressaltar que o crescimento do PIB acima do esperado não se deve a um aumento nos investimentos, mas sim a estímulos fiscais do governo, com ampliação dos gastos acima do crescimento da receita. Esse cenário gera preocupações de longo prazo em relação ao déficit nas contas públicas, à expansão da dívida pública e, consequentemente, à inflação e às taxas de juros.

Com a demanda aquecida, houve impactos também sobre os preços. A hotelaria, por exemplo, registrou um aumento médio de aproximadamente 10% nas tarifas em 2024, conforme dados do IBGE e do FOHB. A inflação nos serviços de turismo também contribuiu para a elevação do LVC, uma vez que as empresas passaram a pagar mais pelos mesmos produtos. Além da hotelaria, outros segmentos também pressionaram os preços, como o setor aéreo, a locação de veículos e o transporte rodoviário interestadual.

No caso das passagens aéreas, havia receio de que a escalada do dólar, que chegou a R$ 6,30, impactasse ainda mais os preços. De fato, houve um aumento, impulsionado principalmente pelo custo do querosene de aviação (QAV). Conforme indicado no gráfico anexo, o preço do QAV subiu de um patamar pouco abaixo de R$ 3,50 por litro para pouco mais de R$ 4,00 por litro. No entanto, esse nível não difere significativamente do registrado entre abril e setembro de 2023.

Agora, com o câmbio oscilando ao redor de R$ 5,80, a pressão sobre os preços dos bilhetes diminuiu. Assim, as passagens aéreas continuarão em patamares elevados, mas dentro de um nível ao qual o empresário já está habituado. Há, no entanto, preocupações sobre possíveis impactos nos preços e na oferta com a fusão da Gol e Azul, mas os efeitos desse processo devem ser sentidos no médio e longo prazo. O resultado de 2024 ficou alinhado com as projeções da GBTA, que estimava um crescimento de 6% para o Brasil. Apesar das diferenças metodológicas, a tendência se confirmou.

Para 2025, conforme análise da FecomercioSP, a expectativa é de mais um ano positivo, impulsionado pelo carry-over (efeito de carregamento) das variáveis de 2024. A economia deve crescer em torno de 3% na primeira metade do ano, embora possa desacelerar no segundo semestre devido ao impacto do aumento dos juros. A projeção inicial aponta para um crescimento de 4% nas viagens corporativas, mais um recorde histórico.

Fonte: Assessoria
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